No âmbito do Transtorno de Personalidade Antissocial (TPA), a discussão sobre sua prevalência e duração revela dados intrigantes. Conforme um estudo comunitário significativo de 1984 (Robins etal., 1984), cerca de 4,5% dos homens e menos de 1% das mulheres eram afetados à época. Posteriormente, em 2008, o DSM-IV-TR indicou taxas em torno de 3% em homens e 1% em mulheres.
Chama a atenção que o TPA se manifesta mais notavelmente no final da adolescência e início da fase adulta, com uma curiosidade adicional: por volta dos 40 anos, observa-se um aparente "desgaste" desse transtorno na vida das pessoas. Este fenômeno é ainda mais notável pela resistência do TPA a tratamentos convencionais.
Os obstáculos para o tratamento do TPAS se dão, primeiramente, pelas próprias características do transtorno, que interferem direta e negativamente no tratamento (tais como desconfiança, fuga de intimidade, limitação na capacidade de formar aliança terapêutica de natureza colaborativa, desonestidade, dificuldade de trabalhar com metas a longo prazo e de pensar nas conseqüências de suas ações antes de agir) (Bieling, Mccbe, & Antony, 2008). Além do mais, há poucos estudos sistematizados sobre o tratamento de pacientes com TPAS que possam orientar a elaboração de programas mais efetivos. (COSTA, J.; VALERIO, N. Transtorno de personalidade anti-social e transtornos por uso de substâncias: caracterização, comorbidades e desafios ao tratamento. dez. 2009).
Atualmente, especialistas exploram possíveis explicações para esse declínio, apontando para fatores como maturação cerebral, mudanças no estilo de vida, fatores sociais e até mesmo a seleção natural ao longo do tempo. Embora não haja consenso sobre as razões precisas desse "desgaste", essas teorias lançam luz sobre a complexidade do TPA e seu impacto variável ao longo da vida.
Tipos de TPA (Primário e Secundário):
Segundo Holmes (1997), a categorização do TPA em tipos primário e secundário oferece outra perspectiva valiosa. Ambos apresentam baixos níveis de ansiedade, mas a distinção crucial reside nos processos subjacentes. O TPA primário sugere uma incapacidade inerente de desenvolver ansiedade, enquanto no secundário, a habilidade existe, mas foi aprendida a ser evitada, possivelmente como estratégia de enfrentamento a situações aversivas.
Embora a distinção não seja especificamente incorporada nos critérios diagnósticos oficiais, parece haver dois tipos TPA, o primário e o secundário. Baixos níveis de ansiedade são característicos de ambos tipos, mas eles diferem nos processos que são responsáveis pelos baixos níveis de ansiedade. No caso no TPA primário, o indivíduo ê considerado como em grande parte incapaz de desenvolver ansiedade. No caso de TPA secundário, o individuo ê considerado como capaz de desenvolver ansiedade. mas aprendeu a evitá-la. (Holmes, D. (1997). Psicologia dos Transtornos Mentais, p. 310)
Essa distinção não é oficialmente reconhecida nos critérios diagnósticos, como os do DSM, mas fornece insights cruciais para a compreensão e abordagem do TPA. A diferenciação entre os tipos orienta estratégias terapêuticas, enfatizando a importância de considerar as causas subjacentes para intervenções mais eficazes.
Em suma, a análise abrangente dessas questões associadas ao TPA destaca sua dinâmica multifacetada, proporcionando uma compreensão mais completa e informada desse transtorno de personalidade.








0 comentários:
Postar um comentário